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Arquivo mensal: maio 2011

Azul e preto oceano profundo
Doce sussurro rouco capaz de matar
Milhões de cordas vibrando e cortando
Eco e reverberação de um Nostradamus louco
Agulha suave nas notas de um piano sem mãos
Não sei como responder seu olhar frio e sincero
A poeira sobre os móveis da sala negociando com o espanador
Caixas e números sobre as asas de um contêiner de vidro
E a loucura vai escalando as mãos do último sargento vermelho
Eu que não soube te amar joguei o meu grito contra o mar
O sangue é branco é a retina que enrubrece
O dragão voa sobre as tuas costas nuas
A coisa é a coisa da coisa sem nome abstrato
Dinheiro que paga os centavos amassados
Ela dança quadro a quadro no quadro da parede
Caixa quadrada de cantos arredondados como uma esfera
Respira e inspira pelos mesmos anos que pode viver
Vitrola e rede sem fios por onde escorre o download
Pinga lento sobre a lente leve da última anistia
Morde meu olho porque meu coração não suportaria
Inimaginável fantástico sobre a cama que se deita sobre mim
A mentira que não sabe caminhar como verdade disfarçada
Casa da última nuvem de aço que não soube cantar o vento
Décima segunda e vigésima quarta é a mesma de muitas oitavas
Sinto você se perder na loucura que não pode ler
Se for de baixo pra cima talvez não faça sentido
Melhor que um labirinto feito de apenas um único e singular caminho

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