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Arquivo mensal: janeiro 2012

Anos antes. Deitada de bruços. O sibilar da agulha riscando suas costas. A efígie de um dragão surgindo em seus olhos. Uma chamada perdida na torre alta que risca o céu. Desprezada pelo seu silêncio. Do outro lado da linha poucas palavras sussurradas. Mergulhada na banheira. Lavada em suas intenções. Arrastada pela ilusão de que ele ainda estaria no mesmo lugar, na mesma hora. E que poderia ser a mesma pessoa que sempre acreditou saber. There’s something inside you it’s hard to explain. They’re talking about you boy. But you’re still the same. Ele nunca lhe disse nada. Boca agora lacrada pela força dos anos. Homem de passos e acasos esquecidos. Ninguém sabe o que se passa por dentro. O silêncio revelara suas últimas intenções. Você mudou! Então serei clara. Por desviar meus pensamentos e quebrar todos os meus votos feitos ao ministério. Ao longo desta viagem te guardarei em segredo por achar que posso te ler como ninguém mais pode. E não era inocente em suas palavras. Ele as recebera com o conforto do aço. Apagou o cigarro, suspirou devagar e desligou. Não se renderia a algumas armadilhas já desarmadas. I’m giving you a night call to tell you how I feel. I want to drive you through the night. I’m gonna tell you something you don’t want to hear. I’m gonna show you where its dark, but have no fear. Estranhos conhecidos com hora marcada. Não saberia recebê-lo. Ela untou os lábios para lhe converter. Por não desejar ser inocente ou absolvida dos pecados que lhe cabiam tão bem. Era madura para ver a beleza das suas imperfeições. Nunca houve julgamentos entre eles. Você não sabe esconder o que eu penso. Corroendo e alimentando essa sua maneira de sofrer. Sempre foi assim, não é? Eu vou passar na porta do inferno e sorrir quando te ver. Pelo espelho as escamas sumiram sob o vestido. Lambeu os pulsos e o pescoço. Então ouviu algo nunca dito. Palavras para machucar. As notas de um piano sem mãos. Uma porta querendo ser aberta sem a chave certa. O céu cedendo até riscar a torre e balançar o mundo. Pessoas nunca apresentadas se reconheceram sem palavras. Ela revelou o convite com um sorriso que nunca planejou. Recebendo a oferenda de um veneno que levava à sua boca. E a fumaça se misturava a silhueta irrompida pelo brilho negro dos seus olhos. Você esperou a pessoa errada. Por não saber quem sou! Estava terrificada por ouvir aquela voz. E desejou nunca ter feito as escolhas certas por finalmente saber o que sempre desejou. Sentiu o desespero alimentar a bile por entender que em breve o perderia para sempre. Quero ser teu segredo. Estar em ti, nos teus olhos. Colocar as minhas palavras nas tuas linhas. A minha língua na tua boca. Sabia que estava sonhando sem querer despertar. Até que o tempo martelasse sua última casa. O que faria cada um permanecer em suas vidas. E eu aqui… no meu lugar!

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Este cigarro aceso enquanto caminha sobre sua sombra. Voz rouca no limite das cicatrizes. Na torre alta, nas últimas horas da noite. Pelo espelho lançados, laçados contra a vidraça. Um batom vermelho se desfaz no escuro. Dançando livremente. Give me soul and show me the door. Metal heavy, soft at the core. Gimme toro, gimme some more. Gasolina queimando espécies pelo pavio de uma risada que se estende até o nascer do horizonte. Olhos negros envenenados nesta saliva doce que não sabe o que é pecado. Apenas a penitência que me absolve por te consumir. Sob o manto das sombras as agulhas dos teus pés ainda me machucam. Corrompendo o que escolheu entregar por livre vontade. Quer ser presa para escapar da vida que ameaça. E escolhe dizer, mostrar, falar… mas não usa as palavras. Ruas esfumaçadas se desfazem em milhões de faíscas. Perigo sem temor, vontade sem pudor. 180 batimentos, 160 por hora. E esta risada, esta risada livre de sanidade e de explicações. Vidas subestimadas na palidez do dia. Fortified with the liqour store. This one’s down, gimme some more. Sem parar, sem pensar, sem desalinhar as virtudes colocadas sobre a mesa enquanto as labaredas lambem o teto. Com gelo, por favor! Duas doses do que vem da tua boca. O último volume, vestígios de uma fragrância. O dragão sobre tuas costas nuas. A serpente na tua língua. O bote, o bote… salva-vidas…