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Arquivo mensal: março 2012

São as minhas preces. As minhas perguntas feitas para o alto. São os meus segundos parado, perdido entre os raios do sol que se debruça no horizonte. É quando caminho na praia sozinho molhando os pés e os olhos. Deixo o sol bater na cara e esqueço tudo que me faz mal. Seguindo com o último aceno ao portão antes de dobrar a esquina. E lembro das risadas que me fizeram chorar ao lado do meu irmão. Então é a vida que escolhi fazer sem ter medo das minhas pegadas. Mesmo nos tropeços e nas coisas que pintei fora de linhas tão bem desenhadas. Vejo no espelho pequenas marcas, sinais no rosto. Lembro de gente que não erra nunca… e isso me parece tão insosso! Pego as filas e pago em dias. Vivendo sem conseguir odiar ninguém. Tinha algo na cabeça a um segundo e de repente… não consigo mais lembrar! Comecei a tentar fazer o que tanto pedia: não exigir tanto de mim! E descobri um estranho prazer na solidão desses dias. Um ritual por trás de uma xícara de café em um dia chuvoso. E vejo então tudo diferente. As páginas marcadas nos livros que estão de molho. Uma nova casa, uma nova vida… e um silêncio novo.

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Ele corria pela rua brincando na chuva. Subia no banco da praça e pensava em voar. Abria os braços. Sorria sozinho. A vida parecia ser tão simples. Tão fascinante. Logo tudo mais seria um borrão de lembranças. Sem escola. Sem desenhos. Sem amigos. Sem família. Sem infância.
Sozinho na rua sobre uma folha de papelão. A roupa um trapo. Os pés descalços. E eu aqui do outro lado da rua. Olhava sem você perceber. Aqui na outra ponta do mundo. Sentia que poderia ser você. Segui o me caminho. Olhei para trás e vi você me acenar. Nunca soube o seu nome… mas obrigado… obrigado por me ensinar!

O tempo aperta o pulso
O sangue pulsa justo
O mundo não é limpo é sujo
E gira então gira tudo
E muda a boca que é muda
Fala bem mais quando cala
O silêncio que não se escuta
É mais que tudo é nada
Resta uma gota uma marca
Um sinal, um gesto, uma palavra
Fala. Fala! Fala?
Expressão do verbo da sinceridade
Verdade é verdade não existe metade
Ou vontade sem ação ou ação sem vontade
Um pedaço do todo do todo do todo
Eu digo e ouço e declaro uma parte
Eu penso em silêncio
Na palavra que se fala
Cala. Cala! Cala?

eu pago as contas. eu lavo a roupa. eu troco o óleo. eu passo o troco. eu faço a feira. eu passo a camisa. eu lavo a sujeira e recolho as cadeiras. eu sou o prato e a mandíbula. eu sou o pano, a agulha e a linha. eu sou a moldura, o prego, a parede e o martelo. as pernas da mesa. o eixo e a borracha do pneu. eu sou o quadrado e a roda. o triângulo no asfalto. eu sou o gesto e a fila. o ponteiro do relógio. eu sou de ferro. sou o concreto e o aço do prédio. o curativo e a embalagem. sou a tampa e o abridor. sou o preço, o lucro e o devedor. sou a alavanca. o ponto de apoio. a chave e a fechadura. o saco do lixo. o tubo da caneta e o papel. a garrafa. a antena. a tomada, o fio e o teclado. sou o código binário. faço funcionar. não sou absurdo. sou lúcido. direto. prático. sou o grito e o parto. sou isso tudo em tudo. a letra, a vírgula e o punho. sou a engrenagem que gira o mundo. eu sou a posse e a vida que é minha. eu sou o ponto final que encerra esta linha.

E você me viu com essa cara de menino
O mesmo sorriso neste dia de sol
E não me importa mais tanta coisa
É você ainda no caminho de casa
E nunca saberemos repetir nesta vida
Os momentos que soubemos dividir
Abraçados em gargalhadas tão nossas…

Rasgo palavras para não quebrar espelhos
Apago pecados que não quero pagar
Vejo o teu nome em um neon vermelho
Acordo sonhando que vou me jogar
Calo verdades para não declarar mentiras
Revelo o bastante sobre o que não posso contar
Espero você cair em minhas armadilhas
Eu vou te contar quando o silêncio acabar
Meu delírio é não poder dormir
Cortando os olhos com lágrimas antigas
Meu devaneio é acordar sempre no mesmo fim
Pegadas e cicatrizes a muito esquecidas
Coisas que não consigo encontrar dentro de mim
Páginas em branco e palavras nunca ditas
Esse paradigma paradoxavelmentediagnósticavel
Estou delirando como o diabo quer…
Hey you! Is there anybody out there?