Quizás, Quizás, Quizás

Sobre a areia branca das praias caminhamos até o amanhecer. Isso fala dos contos perdidos, das coisas que acreditamos saber sobre o mar. Imagem de algum escrito esquecido entre páginas que não li nas linhas desta vida. Da vida deste, que encarna parte do que se viveu nas palavras. O vento soprou em algum momento do outono. Levou as folhas soltas em voo livre sobre o penhasco que empurra o mar. Eis que esquecemos como tudo era. E depois veio uma doce luz amanhecer nossos olhos. E a vida não era aquilo que imaginávamos antes de ouvir esta melodia. Despertamos para ver o sonho chegar aos portões da noite. E foi o frio balançando nossos corpos nesta manhã pálida. E veio límpida, branca como as praias, doce como este aroma do mediterrâneo… alva como a tua pele. E foi a loucura de ver o teu pescoço sob gestos tão sutis. A louça que invejava teus ombros. O que me diz este riso… e a tua voz… são coisas que só sei sentir. E se sei não ei de pronunciar para não diminuir. Pois seriam letras tão pequeninas sobre vontades tão inebriantes. Acho que esqueci que a vida é feita de algum certo talvez. Como barco embriagado que não se sabe muito aonde vai, ou de onde veio… Acontece então algo no meio. São as coisas que não planejei. E me enganei muito. Tão fácil. Tanto, tanto… E foi por muito tempo… mas a vida só acontece! E no meio de tudo o frescor da chuva que nos afoga. Soube agora, finalmente, pular para o outro lado e deixar isso tudo me alcançar. Soltar as rédeas, quebrar as réguas, deixar a trégua. E esse perfume… a beleza de dias não vividos dentro de minhas vontades. Elas não imperam sobre as linhas da praia, ou sobre os ventos dos mares. Ele insiste em soprar sobre a vontade que lhe rege. Então são acasos e paralelas que se cruzam. Pois correm livres os cavalos selvagens e o fogo não possui senhor. Ele se alastra e se arrasta até lamber o teto que desejas consumir, sedento de sede. E a água não dobra o ferro mas, o abraça e o afoga na esperança que este adormeça. As linhas estão sumindo. Desisto de me orientar. Quero as estrelas apenas para a minha íris, para contemplar. Deixo agora todos os mapas. Quero somente uma bússola em meu coração. Deixo todas as certezas sobre algo que não é o imediato segundo… existe um curso natural que não é a minha vontade. Mas a soma de todo o acaso que está no passado ancorado, no futuro impensado e no presente atado… é aqui, no agora que amarramos todas as pontas soltas. Pontas que muitas vezes pensaste em cortar. Deixo esta encruzilhada me soprar. Encontrar uma ilha depois de naufragar. E a vida não era aquilo que imaginava antes de sentir esse perfume. E o caminho soma suas partes. Podem ser muitos, podem ser todos, podem ser dois ou três… talvez, talvez, talvez…

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