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Arquivo mensal: junho 2012

O próximo passo é diferente. Mergulho para respirar. Caminho para reaver. Vontade de me olhar. Tempo para acontecer. Nos caminhos que só eu sei. Nas coisas que só eu disse. Por escolhas que eu deixei. Por outras que não vi acontecer. Nas palavras que me senti livre para escrever. Agora caminhando para frente enquanto os ponteiros caem para trás. Descobrindo a sabedoria da chuva. A verdade do sol. A paz que entra pela janela. A brisa de junho. O vinho da noite. O café do amanhecer. O perfume do mar. A vontade de viver. As notas que quero cantar. O silêncio que vai me dizer… Hora de não voltar. Hora de enxergar as pedras no chão. As flores nas mãos. Andando feito homem livre. Até retornar. Até dobrar a esquina. Encontrar o que é meu. E perceber o que não aconteceu. Até dizer que sou o mesmo. E com um sorriso: não sou mais aquele eu…

…a bússola vai soprar seus caminhos… que sopre bons ventos
…que venha então o que é de cada tempo…

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Professores ganham notebook para dar aula. Alunos recebem a merenda. As ruas foram asfaltadas. Melhoramos a qualidade da fibra de vidro dos telefones públicos. Pintamos os paralelepípedos das calçadas. Varremos as ruas. Prendemos um flanelinha. Matamos um traficante. Construímos um novo presídio. Com tomadas nas celas para recarregar celulares. Colocamos um novo sinal com faixa para pedestre. Inauguramos uma parte do metrô. Contratamos mais policiais sem treinamento. Compramos mais armas. Gastamos com mais equipamento. Limpamos um córrego. Plantamos uma árvore. Profissionais recebem ajuste de 0,5% e uma escova de dente. Já é um aumento : ) Derrubamos o muro. Fizemos um seguro. Curtimos uma foto de protesto \o/ Cercamos o parque. Tem água encanada. Para o mosquito tem parada. Recebemos vacinas. Uma parte já vencida. Reduzimos o IPI. Já que não deu em nada a CPI. Tampamos as goteiras. Mas não repara na ‘cachoeira’. Fizemos a maior festa do mundo. A sua foto foi publicada com sucesso : D Este número que você ligou não recebe chamadas ou não existe. Estamos trabalhando para melhor servi-lo. Anote o número do protocolo. “Se eleito for pode ter certeza”. Estamos seguindo com as migalhas da mesa…

Foi como caminhar sem se importar. Da parada de ônibus partia um sorriso pela janela, um olhar sincero cruzando a avenida. E ele seguia pela calçada esbarrando em objetos imaginários, tropeçando e caminhando e parando… feito Carlitos, andar engraçado, trejeitos espontâneos, não ensaiados. Um palhaço sem platéia que se importe. Apenas os olhos que brilhavam do outro lado, pela janela do ônibus. Até se derramar em gargalhadas por ele se esbarrar no mesmo poste, todas as vezes, o mesmo poste… como se fosse a primeira vez. Era tudo que ele precisava: ver aquele sorriso. Foi a última vez que ela o seguiu com os olhos até desaparecer no final da avenida. E Carlitos nunca mais fez sua graça. Talvez seja o momento de perceber que certas coisas são especiais o suficiente para serem lembradas com carinho. Independente do amanhã, nós tivemos o hoje…