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Arquivo mensal: julho 2012

Uma vontade de dizer nada nada nada
A verdade que se fala fala fala
Repetindo o silêncio que cala cala cala
Escrevendo coisas que se apaga apaga _ _ _ _ _

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(…) correndo por ruas quebrando ponteiros copo contra a parede derramando vermelho sobre o papel que não me ensina a escrever meu mestre partiu em noite escura de silêncio voraz onde arde ternura tirana que terrifica sem pontos e vírgulas uma vontade de não parar o braço que cai com o conforto do aço esmaga algum grito que perdura e as palavras que não saberei ler em sintonia com a noite quando pensei não existir algum sol capaz de nascer para essa vida continuar eu me fechei e liguei os motores esperando a tempestade tocar meus parafusos soltos cortando meus sentimentos destruídos e esperança de me entregar pois tenho amor e ira quando não me deste um me entreguei ao outro sou alguém sem nome este senhor tirano esquece e escreve poemas por não ouvir nenhum falar que corresponda então voltar ao silencio de um ser que não sei conjugar verbos além dos meus gritos que desejo entender velhas memórias de alguém que fizeste uso para meu corpo e me atrevo com rabiscos encontrar algum sentido me deste coração e não sei como amar me deste este corpo e não saberei dar sentido a vida que pulsa pois no fim não me deste razão costurada a pele que tece no sangue alguma emoção clamo mestre fica esta fúria de desejos que preciso calar para ouvir pois além desta noite vou matar pelas coisas que nunca vi e voltar ao mundo que é só meu por teu egoísmo e tua vontade de ser maior que deus (…)

Sobre relatos encontrados na investigação deste caso se esclarece a culpa do Dr. Victor Frankenstein. Com base neste documento encontrado em seu próprio diário. Este esquecido no bolso de um sobretudo preto (registrado como prova) usado pela vil criatura morta pela polícia. Nas palavras mal escritas por tal abominação fica claro que o Dr. Victor é responsável e culpado por atos de insanidade e imoralidade.

E vai descendo a rua ao cair da noite. A brisa e a neblina. O frio e o ladrilho. Cinza e azul. A silhueta de uma bailarina. Palavras que minhas mãos podem escrever. Pintura que meus olhos podem sentir. O amarelo das luminárias que acendem como vaga-lumes. E as folhas que o inverno levou ao chão. Solitário vagante por caminhos que não se sabe: aonde vão? Certo de desejo incerto. As palavras ditas por uma cartomante. Quem saberá fazer leituras desta sinceridade sem cair no ridículo da superfície? Tão rasa, tão pobre. Maiores são os sentimentos que não cabem nas palavras, ou nesta pressa por alcançar um ponto final, como este que encerra esta linha. Bastam os meus passos e a minha vontade. Neste olhar fugaz, não saberá dizer que o pintor precisa se sujar. E no preparo de suas tintas existe sabor e textura. Ali, naquele caminho, era mais do que uma rua. E penso sem querer explicar que são mais do que palavras e frases. O pintor continua seu trabalho. Sente o aroma das mãos untadas em óleo. Sob as unhas o azul de um céu. Espalmado no avental o vermelho fresco de um tapete mágico. Mais do que pintar é viver no momento que se faz. Um mergulho em busca de ar. E sigo aqui, descendo a rua, sentindo o frio dobrar o meu corpo. E se souber bem ver, não será teu amigo quem arranha tua superfície. Fugaz e raso riso descomprometido. Quadro que ousa passar os olhos. Comida que engole para matar não só esta fome, mas a pobreza de um espírito. São esses mantenedores de razões apenas para risos fáceis que se espatifam no chão. Perceberá a verdade nas verdades que sempre se repetem. Hora de manter o silêncio do pensamento. Coisas escritas que não são lidas. Não saberão fazer suas tintas. Tão pouco perceber como foram preparadas. E podem ver tuas rugas, mas não as tuas lutas. Apenas o branco das nuvens e dos teus cabelos. O escuro da noite e dos teus olhos. E se perde um infinito de cores, sabores e acasos. E o azul que se estende como manto sagrado. O sentimento que embriaga teus olhos. O aroma que te faz salivar. O perfume dos livros. O silêncio que parece cantar. Quem fala de ignorância não vê que o pescador sente o movimento das marés? Pois a cada um foi dado um tapete mágico para voar. Não o use para limpar os pés!