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Arquivo mensal: outubro 2012

invisível invisível invisível invisível
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invisível invisível invivel invisível
invisível invisível invisível invisível
invisível invisível invivel invisível
Agora vejo as palavras que outrora não
desejei ler, pensar, saber ou ouvir
Invisível és pra mim o que deixei de
visitar nos meus pensamentos
Esqueci de lembrar que outrora eram
sonhos antigos de um tempo invisível
E no meu sorriso existe o que consigo
enxergar, tocar, sentir e respirar
E tudo que é invisível é menos que o ar
invisível invisível invisível invisível
invisível invisível invivel invisível
invisível invisível invivel invisível
invisível invisível invisível invisível
invisível invisível invisível invisível
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Se soubesse dos temores da noite não andaria por esta floresta. Se caísse dentro das pálpebras que se encerram não escreveria entre as linhas que só eu sei ver. Saberia me dizer o que faz com esta máscara. E o que fizeste com as lâmpadas mágicas? Estas vazias, brancas e pálidas. E da torre alta vi as penas negras cobrirem teu corpo. O vestido dançando no espaço sozinho. As estrelas beijando o espelho dos meus olhos. O frio aquecendo as verdades que não precisam acontecer. Escritos que o meu coração tece em horas escarpas. O mensageiro deixando cartas em branco. E em cada hora uma espada. Trovando uma canção que me revestiu. Sentimentos em labaredas lambendo as costelas desta couraça. E vi Rothbart no espelho. Nas amarguras silenciosas que a máscara de um sorriso nos dá. E a ternura foi chave para toda porta fechada pelas correntes da arrogância. A paciência foi o relógio que lutou lentamente contra o teu orgulho. O silêncio foi a palavra que usei contra teu discurso venenoso e insensato. O amor foi escudo para todas as coisas que não fiz questão de defender. Agora é hora de encarar o problema bem entre os olhos. Um infinito que nos corrompe na solidão de um abraço. Essa tempestade rasgando nossas velas. E no fim naufragamos feito aço. Respiramos a loucura da verdade. Noite sem lua. Dia sem sol. Inverno tenebroso e invisível. Espreitando pela fechadura das vaidades. A coragem de não dizer. A vontade de consumir. O fogo lambendo as paredes. Sedento por não te possuir. E neste gesto reinava o pecado que pagaria minhas dívidas. Uma ordem sem lei. As penas brancas que caíram por nunca pertencerem a quem me disse ser. Eu vou passar na porta do inferno e sorrir quando te ver. E nas entranhas das tuas insônias a bile vai te consumir. Desnuda e visceral. Exposta aos feitiços que dança nesta coda. Rodopiando feito bailarina nos pátios do meu coração. Presa nesta caixa de mármore. Imaculada possessão. E no baú a última máscara de um sentimento sem fim. E era preto, negro, luto, escuro, absurdo. Meu coração corrompido pela certeza que calei. Dançando neste campo minado. Sentindo o relâmpago beijar o chão desta alma. E reverbera neste momento toda certeza que nos sufoca. Uma mentira contada dez vezes. O veneno que me roubaste. Ouvindo cada palavra de uma boca cheia de certezas. E finalmente lhe vi vestida… feito rubra quimera negra.

Eu fui criança para ver você chegar com beijos e balas. E a noite me contava alguma história. Me fez sorrir sorrindo pra mim. O teu perfume de alfazema. E as mãos molhadas de lavar louças. E nos domingos dancei sobre os teus pés. Sentado na janela enquanto olhava meus irmãos falando de coisas que nem sei. E no caminho da praia nos contava a mesma história que ouvíamos pela primeira vez. As notas da escola eram coloridas. E sei que sempre gostou de ver tudo azul. E nunca esquecerei o carinho com que arrumava a minha lancheira. Um momento mágico abri-la e ver tudo tão enroladinho naquela toalha. E o perfume das tuas mãos cheias de um carinho sem fim. Nem sei dizer… E era uma eternidade até as 11. E o dia era loooooongo… se arrastava até a noite. O portão batia mais forte quando ele chegava. Eu te olhava enquanto, abraçada, fechava os olhos num sorriso. Um beijo e um afago. E naquele dia em que te vi chorando percebi algo mudar em mim. Eu fui criança para ver vocês ao meu redor. Brincando nas férias na casa de nossa avó. Augusto namorando. Vinícius lutando. Meu pai pintando. E você… nos amando! Eu fui criança para crescer e poder te dizer… dizer que fui criança… dizer que fui criança…

O mar nos chama de volta. A réstia de sol brilhando a certeza do olhar. E luz, e pele, e vida. Vontade de seguir e caminhar. Sobre as areias brancas este amanhã vem nos aquecer. Em Kaua’i, onde as ondas se deitam.

O perfume do mar. A doçura do fogo. O brilho das estrelas neste azul infinito. Lugar onde me esqueci e me perdi para encontrar. Sobre as areias brancas caminhamos. Em Kaua’i, onde as ondas se deitam.

Sobrevoar outro tempo e me abandonar. Vejo muito do que se pensa. Fechando os olhos por não acreditar. Abrindo os braços para amanhecer. Mãos firmes e certas dos passos que vão te levar. Em Kaua’i, onde as ondas se deitam.

Cantando para os olhos no céu da tua boca. Laçando cometas. Alimentando esta fogueira. Dançamos livres de todas essas certezas. Conversamos até o amanhecer. Anoitecemos sem julgar. Em Kaua’i, onde as ondas se deitam.

E vem o vento. E o perfume de um doce dia. Eu me faço neste verso. Um colar de flores. Uma estrela do mar respirando em tuas profundezas. Uma tartaruga nos ensina a dar passos firmes em sabedoria. Em Kaua’i, onde as ondas se deitam.