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Arquivo mensal: novembro 2012

Acredite em meus olhos
Acredite em minha boca
Acredite em meus gestos
Seja, sinta, veja, ouça
Acredite em minhas mãos
Acredite quando o telefone tocar
Acredite que é verão
Barco, branco, brisa, mar
Acredite em nossa música
Acredite naquele mergulho
Acredite que é possível
Calo, grito, canto, sussurro
Acredite em teu travesseiro
Nas coisas que ele te diz
“Ei, faz sentido este sentimento absurdo que te faz feliz…”

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Linda é você
Que sorri com os olhos
E sabe ser mulher
Coração de verdade
Este que é de carne
Obrigado, bom dia, boa tarde!
Sem nunca esquecer
Sem perder a ternura jamais
Uma flor no cabelo
Com alegria e zelo
Para não secar
Voa, voa, no ar
Linda é você
Leve branca luz suave
Que guarda em segredo
Debaixo de sete chaves
Linda é você
Que em cada sorriso
Tem a luz do amanhecer
E sabe ser mulher
Linda é você
Que não sabe disso
E nem por isso
Deixa de ser
Linda é você

Abri o livro dos escritos nesta noite. E lentamente fechei os olhos antes de respirar. Ao olhar pela janela da torre alcancei os primeiros raios sobre o oceano que nos separa. A tormenta que rege o perfume da noite. E nesta mesa a vela contra a brisa. A sombra da labareda bailarina que dança em paredes frias. O chão nu cortando meus pés. Estes que me levaram para longe da cama. Então veio o sussurro da maré embalar meus pensamentos. Aqui nesta torre de pedras. Ao longe brilha pela janela a pálida luz de um escritor. Farol de marinheiros que se estilhaçam contra rochas escarpas. A força dos ventos e a tempestade. Mais forte que os fundamentos da terra. O trovão que abala os confins do mundo e do abismo. Como quem tem sede. Como quem nos caça e nos alcança. Como quem tem pressa. O ar que nos afoga e nos mata. Batem as janelas. Rasgam as cortinas. Voam as palavras. Amargam as mentiras. E toda vontade que preciso viver para deixar esquecer. E o tempo não veio. Neste cronógrafo de horas banidas. O tempo não veio. E ninguém teve coragem de contar ao demônio o quão perigoso é ser humano para testemunhar o peso das ações regidas pela mortalidade. Ninguém teve a bondade de explicar o quão inútil é nos tentar. Mentimos em silêncio as verdades que deveríamos pensar. Sentimos o coração bater mais perigoso pouco depois de nos deitar. Olhos abertos vitrificados. A chuva revela que ninguém vai chegar. Apago as luzes e me deito sem sono. Lembro de tudo que não quero lembrar. Ó demônio, tu não tens coração para amar. Ó demônio, não tenhas medo! Tu nunca saberás. E a rubra quimera dos teus desejos. Alça tua âncora e não procure as praias dos meus pensamentos. As rugas do retrato que amarela dentro da moldura que abraça. As costuras que fiz para deixar este coração bater. E a licença poética que não me permite dizer. O sorriso é maior quando alcança tuas mãos. E quando acordar nesta torre sem escadas o oráculo baterá na porta dos meus olhos. Pouco antes de alcançar sob as pálpebras a luz do sonhar. Pouco antes de dormir vou acordar. E o tempo não veio. Não ouço badalar. Nem as notas que cantei. E todas as preces que fizeste. Onde as estrelas são estranhas. No ministério das almas perdidas. O caleidoscópio do senhor do ar. A ponte onde deitamos. Entre o céu e o mar. O sorriso de Sophia. E a vida que começa a apontar. Por um futuro-mais-que-perfeito. Longe da hipocrisia de um sorriso que alguém te dá. Desfaço muitos laços. Existem outros acasos feitos de verdades sem desculpas. Mas da torre alta pude ver um navio. O único que parece chegar. Dizem estes mapas nas minhas mãos. Linhas que se cruzam por alguma razão. E são muitas as páginas em branco. Depois do que segue são muitas as que esperam um novo início. E vejo o vermelho do horizonte. Da torre alta um dia que começa. O que vem depois? A rosa dos ventos. O tapete mágico vermelho. Interrompido por fogos de artifício. Sete cantigas para voar. Eu precisava por um momento encontrar as palavras certas. Ser o meu reflexo novamente. E me reconhecer em cada contorno. Completo mais uma volta. E volto a ser novo de novo.

Quando as luzes do hanamachi acenderem estes olhos
Toda noite será a esperança de quem sabe ver o sol chegar
Uma maré de pensamentos que encontro quando acordo
Beijo guardado em segredo, vontade que te faz respirar
Um círculo sem curvas, barco embriagado, acaso planejado
E o destino é um mapa desenhado por um cego
Cada pedaço de sorriso na ternura de um abraço
Por um futuro-mais-que-perfeito que escrevi no pretérito
E brisa, e laço e vida… sem perder a ternura jamais
Esqueci que é mesmo tudo isso a vida…
Brilho nos olhos… pelo retrovisor sem olhar para trás
É que o futuro é um passo que já começou
E termina nas escolhas que você nunca fez
Encontramos novas flores sob as pedras do caminho
E a certeza de que o destino é apenas um talvez
No meio da noite, no meio da festa, ao meio dia
No banco da praça, na fila do cinema, no meio da corrida
Na música que toca pela sala, nas palavras de uma amiga
No beijo da madrugada, no abrigo de um novo lar
Enquanto eu cantava e entendia o coração
Enquanto eu sorria e conversava
Enquanto eu estudava, falava, ouvia… escrevia estas palavras
Na fila do supermercado esperando minha vez
As pontas soltas de um laço que desatei
A doçura do fogo e tudo aquilo que vai nos afogar
Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar
Eu tô sabendo, sentindo, vivendo e nem sempre posso falar
Tô me guardando pra quando novembro chegar…