arquivo

Arquivo mensal: fevereiro 2013

Meu nome solitário
Santo nome em vão
Meu santo solidário
Me liga e pede perdão

Santo, santo santo
Com a bola no pé
Meu santo solitário
Me diz que perdeu a fé

Pecado e desejo sagrado
No vaticano e na arquibancada
Meu santo nome em vão
Não o gaste, sua graça

Meu nome abençoado
Que o santo diz em oração
De joelhos no manto sagrado
Santo nome em vão

Meu nome solitário
Me liga e me diz o papa
Que reza por um gol aos 45
Talvez nos pênaltis, sua graça

 

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Encontrei a minha gaita. Encontrei um repertório de ideias quando soprei. Isso me fez pensar no quanto os objetos deixam de ser coisas e passam a ser ou ganhar outras cores. Acho que são seus esses sapatos já gastos e acostumados aos caminhos dos teus pés. Talvez aquele tênis da vitrine seja a única coisa próxima do conceito ‘objeto’. Tá, mas que viagem a minha! É que soprar a gaita, sentir o aroma da madeira e o gosto do ferro me levou imediatamente a lugares já vividos. Já percebeu? Existe uma relação muito nossa com as coisas (principalmente quando a ‘coisa’ abandona esse status). Conheço gente que ‘economiza’ seus prediletos. Talvez na esperança de que este dure um pouco mais. Ok, ok… é foda! Eu adoraria (será?) também encontrar sempre aquela minha camisa do Dream Theater com preto 100. Mas ela já está com 85 (papo de designer, cmky… essas coisas: desbotando, sacou?). Mas quantas coisas inesquecíveis estão naquele preto-lavado! Rock, suor, risos, amigos, ensaios e marasmo… aquela camisa agora é de fato minha. Engraçado perceber que o mercado já se apropriou dessas experiências. No jeans que vem rasgado, desbotado. Nas dezenas de filtros para fotos. Vintage-retrô-rock-style! Sociedade do simulacro. É que tudo se tornou tão rápido que não dá tempo experimentar, borrar, sujar, rasgar, enferrujar. Mas eu ainda curto a minha camisa. Vai ai um conselho desse jovem de trinta? Guarda não, usa o que é teu! Transforma esses objetos em pedaços da tua história. Se possível, mantenha aquilo que for especial. É na hora de doar os livros e as roupas que sentimos que valeu a pena. Diante da difícil tarefa de selecionar o que vai e o que fica pensamos e aquilatamos o emocional. Sobre as coisas muito-bem-gastas damos uma boa olhada e pensamos: quanta coisa boa eu vivi!

Sem rastros. Sem rimas. Gps desligado. Parado na esquina. Eu fecho os olhos e canto o refrão. Nas cordas do meu baixo. Acordes no meu violão. A voz sincera de minha gaita. Sem rima. Sem rima. Soprando um mundo melhor. Notas de um piano sem mãos. Mergulho de minha razão. E de razão tão minha. O perfume que eu sei ler. O sinal que libera a manada. Status ocupado. Limpando os óculos. Deitado no gramado. Lavando a retina. Respiro profundo parado na esquina. Extintor de incêndio. Placa e semáforo. Faixa sem pedestre. Mapas do acaso. E me vejo falando grego. A gastar o meu latim. Escrevendo um futuro-mais-que-perfeito. Para conjugar um novo fim. Profile offline. Pulso. Sangue. Oração. É só puxar a tomada. E conectar o coração.