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Arquivo mensal: março 2013

Sobre a lua cruza um navio
Luz-de-fagulha vagalume
E em cada estrela um destino
No céu da boca que se abre sobre nós
Em cada esquina mil caminhos
A rubra quimera de uma rainha
Que eu beijei os pés despidos
Lavei com o sal das minhas lágrimas
Setenta e 7 dias por um caminho antigo
A porta do ministério e o cronógrafo
O lobo que uiva branco teus desejos sombrios
E o golpe do olhar de quem não é mais que inimigo
Em cada um novo outro eu
Sou eu mesmo o mesmo outro de agora
Respiro o ar que me faz pulsar
Ar comprimido que vai me afogar
Sou conde nessa corte de Toscana
Uma verdade de mentiras sinceras
E o sangue que não corre nas tuas entranhas
Escorre dentro da clepsidra que nos ordena
Conde da torre de Toscana
Dançando com o vestido que te espera
Sem súditos… cem súditos
Eu apenas rei-fora-da-lei
E o bater da porta que eu não sei abrir
Fecho os olhos do meu trono
Eu… conde da corte de Toscana
Sou prisioneiro… pois não sei fugir…

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Ontem eu te encontrei. Estava parada na esquina. Estávamos na mesma rua. Perdidos, calados, olhando pra cima. Esperando o sinal abrir. No brilho de cada retina. Abarrotados em pensamentos.

Por um segundo nossos olhos. Cruzaram a avenida.  Estávamos ali. Diante do outro. Na faixa de
pedestre. Esperando nossas vidas. Deus sabe o que dissemos. E tudo estava ali. Na eternidade daquele segundo.

E tudo mudou. Os carros morreram. A chuva congelou. O coração esmagado dentro do relógio que parou. O ar dos pulmões. O perfume que eu senti. Do outro lado da rua. Parados na esquina. E o sorriso que guardei pra ti.

E naqueles passos. O acaso dos mapas desenhados por um cego. Foi bom te ver olhando pra mim. Ouvíamos o pensamento de tudo que dizíamos. Eu e você. Estávamos ali. Cruzando nossas vidas. Tocamos nossas mãos. E mais uma vez eu te vi partir…