Colar

Quantos colares nós vestimos? Ao redor do pescoço como um coração. Na ponta dos dedos, ao alcance dos olhos. Este colar que te vestiu. Um espaço vazio que nos fez badalar. Como o silêncio que mendiga sussurros. Como uma chama viva dessas sombras. E como dança nos ladrilhos de cada passo. Na ponta dos laços. Em cada arco. Nos braços as pérolas e o mesmo sal. Quantos colares afogam sereias? Ao leme de um navio. Âncora dos sete mares. Rocha no oceano. O senhor das estrelas não soube acreditar. Um infinito espaço entre o peito e a alça. Que não se conta. Que não se amarra. Quantos anos badalam nossas mãos? Elas nada tocam enquanto arranham. Boca que cala as palavras que não são mais do que sílabas agrupadas. Cantar. Cantar. Cantar. Na ponta dos dedos as escolhas de cada novo outro mesmo eu. Eu. Primeira pessoa do singular.

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