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Arquivo mensal: julho 2013

Onça come gente?
Come não
Come sim
Comeu minha mãe
Antes d’eu nascer
Onça come? Gente?
Corra não
Come sim

*Sobre o poema ‘Zé’, de Franscisco Alvim

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Se tenho dúvida
Estou antes da resposta
Antes da pergunta
Que nasce com dúvida
Se estou com a resposta
Estou depois da pergunta
Pergunta que está no meio
Entre a dúvida e a resposta
Mas na pergunta reside o final
E o começo da solução
Então é a pergunta
Um obstáculo para a resposta
E só a dúvida nos basta

A gente tem sempre um controle à mão. Por perto, pelo menos. Seja o da tevê, do ar ou de algum aparelho high-tec-pixel. Que mania mais humana de controlar tudo! A gente tem sempre uma régua por perto. Um velocímetro. Que mania de m-e-d-i-r-t-u-d-o. O peso, a distância, a velocidade, a altura. Quanto custa? Quanto vale? Em quantas parcelas? Medimos para talvez sentir algum conforto no controle, para aquilatar o valor em números. Para transformar em algo concreto coisas tão abstratas. Talvez seja por isso. E o que pensar quando partimos para as emoções? Existe certa lucidez pálida nessa vontade de ter tudo à luz. Até (e talvez, principalmente) sobre o que sentimos. Em escalas inconscientes muitas vezes colocamos sob uma régua, balança ou velocímetro em nossa paixão, desejo, carinho, amor, saudade, tristeza, tédio, raiva. Medimos! E descobrimos que muitas vezes fazemos isso de forma espontânea, sem nos dar conta. Quando iniciamos algo com muito fervor pisamos no freio, quando sentimos o marasmo forçamos uma situação, damos um ‘up’, aceleramos. Quando não sentimos as coisas como gostaríamos que fossem, medimos! Não sei se tudo que o ser humano faz é ‘medível’. Acho que não! Existe uma qualidade, uma característica em cada um de nós que não é palpável, ou dada à razão de um olhar. Quem nunca se sentiu bem perto de alguém sem entender ou saber o porquê? Ou percebeu certa energia negativa em uma situação que julgou desconfortável? Cedo ou tarde acontece. Eu gosto de acreditar que isso é o que chamamos de aura, alma, energia. Essa Beleza particular que cada ser humano possui está lá! A grande questão é: se faz necessário tempo e atenção para percebê-la. E, no mundo tudo-pronto-descartável-oba-oba de hoje, se perdem quilos e litros (medindo) de sutilezas e essências reais. Reina a superfície, a casca, a capa, a roupa, a maquiagem, o filtro, a grife, o clichê. Sobra muito pouco para tudo que se sente vivo. Pecamos quando julgamos. perdemos quando julgamos. Sim, é a gente que perde. A gente tem sempre um controle à mão. Medimos! Talvez ‘medir’ e ‘controlar’ sejam palavras-chave neste novo milênio. Precisamos medir para sentir (?). Não estou falando em descontrole emocional ou sobre o ‘exagerado-jogado-aos-teus-pés’. Não! Mas sobre a temeridade de assumir sentimentos (e pensamentos). E da capacidade de ver algo além do clichê-estereótipo que pousa em cada um de nós na foto de algum profile. “Se a gente não tivesse feito tanta coisa, se não tivesse dito tanta coisa, se não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor Grand’ Hotel”. Acho que vive 100 anos quem sabe levar a vida “sem ter a vergonha de ser feliz”. Quando foi a última vez que você conseguiu sentir algo intenso? Um gol aos 46? Um bom combate? Da próxima vez que nos apaixonarmos por algo é bom tentar medir… sem controlar a tal ponto de ver algo muito bom/bonito morrer no plano das ideias. A gente tem sempre um controle à mão. Q-u-e-m-a-n-i-a-d-e-m-e-d-i-r-t-u-d-o.

Silêncio que fareja sussurros
Preto turvo negro luto louco absurdo
Ca-da-pa-la-vra-di-ta-ma-ta
Suprema corte do sol
Livre de bandeiras amargas
Supremo partido bipolar
Eu era fui é foi será
Silêncio absurdo
Maior que o mundo
Suprema é a voz
Que rompe o que é de ouro
Para não enferrujar