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Arquivo mensal: agosto 2013

Era fácil fazer retrato de família. A gente parava. A gente abraçava. A gente sorria. Era fácil. Fazer retrato. De família. A gente esperava. A gente postava. Álbum de papel. Domingo. Sentava. Olhava. Ria. Em família. Era fácil. Um retrato de família. A gente esperava. Por aquele momento. O da fotografia. E depois revelava. Olhava. Pensava. Sentia. Sorria. Sentia. Sorria. Quando a gente olhava. Pro retrato de família.

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Foi no meio de um dia cruzando a faixa de pedestre. Foi no meio do ponteiro que apagou os últimos segundos das 16. Era quase sol. Era quase chuva. Mapas mentais entrelaçados sobre as últimas coordenadas da semana. Mapas astrais mergulhados em constelações de algum faz-de-conta. Melhor eram as cores amargas do cinza-mundo-real que respirava. Da alucinação de Belchior. Sem teoremas nem paradigmas. Sem toda a falação despretensiosa de um discurso raso. Intelectos ameaçados pela timeline. É uma hashtag: mãos ao alto! Eu cruzei algumas ruas para o lado. Era a pausa sagrada para não respirar as notícias. Era a busca por um momento no-hi-fi-low-profile. Para mergulhar no ritual de cada-um-de-nós. Era café e silêncio. Eram cinco minutos com óculos embaçados. De olhares perdidos. De rascunhos imaginários. De checklis-esquecidos. Era encontrar o que poderia. E ter certeza do que precisava quando não pensava… e só sentia…

Centralizados paralelos para-raios para avisos. Oferta e demanda por container cúbico. Respirando ar comprimido. Rarefeito gás de pólvora em ternura de aço. Embaladas. Em caixas. No navio. Pela descarga. Feito nuvem negra de fumaça. Cano de escape. Rastros de alquimia dissolvendo pessoas outrora de mãos limpas. Sem ponto sem vírgula. Sem aspas nas bocas atadas que calaram sonhos. Em virtude, em verdade. Veredicto de um pecado. Era o bem uma dádiva livre de taxas. Fibra ótica, código de barras. Amizade formatada. Sentimento manufaturado. Soda cáustica de olhos vitrificados. Paradoxavelmentediagnósticado. Nicho de mercado sensibilizado. Centralismo. No meio do peito. De olho no umbigo. Partido de um homem só. Alvo fácil. Mina do olho. Ponto e arco. Acontece tudo novamente. Inteligência real. Sentimento artificial. Admirável Huxley. Homo Faber. A.F. D.F. Ad infinitum 5.1. Estrutura e mudança. Em outdoors ao longo da via expressa que cruza a floresta. Biscoito da sorte. Acaso das possibilidades de quem cruza os braços, bate no peito e muda de canal. A hora do Brasil abalada por uma chuva de verão. História atolada em livros. Servida em dispositivos de busca. Nada resta procurar além do controle remoto. Remoto controle. Remova. Renova. Se mova. Liberalismo de um céu abaixo do nível do mar. Anjos jogando cartas. Desempregados. Na fila das estatísticas enviando currículos por orações. Torre alta risca o céu do progresso de ordem despretensiosa. Semântica de um sonho avaliado e dissecado entre lâminas. Sob uma lente. Num laboratório. Feito relatório. Escova de aço que lava a cara que acorda enferrujada. Capitão gancho correndo feito papaléguas. Tic tac, tic tac. Canibal vegetariano devora planta carnívora. O tempo é o novo senhor. Nervoso como um crocodilo. Pulsa justo o relógio em cada pulso. E o mundo gira. Feroz. Fugaz. Ferreiro que martela em cada casa. Freud Flintstone. Central. Centralismo. Na frente do espelho. De costas para o mundo. Era o bem uma dádiva livre de taxas. Fibra ótica, código de barras. Quanto custa? Quem paga? Só o máximo divisor é comum. Noves fora… nada.

Não mude o foco. Troque a lente. Limpe a máquina. E se tudo acordar em um dia de sol, lembre-se daquele sorriso bobo. Arqueiro zen disparando sentidos. As engrenagens de uma borboleta. Meio autista olhando pra cima perdido no tempo. Franco atirador de dardos. Um encontro antigo de almas francas, bobas, infância. Na fila do supermercado esperando minha vez. Uma chamada, uma mensagem e a voz de meu irmão ecoando. E ficou fácil pensar no que a vida é poucos segundos antes de passar as compras, de pagar e receber o troco. Lembrei que poderia ser. Sem saber. No alpendre em que minha criança acordou naquela tarde, naquela rede, naquela casa. Tambores. Motores. Pulso e coração. Mil destinos em cada esquina. Um terapeuta sussurrando orações. Do Vaticano o mesmo fax. O dia trouxe mais sentido pouco antes de terminar. E o mar nos chama de volta para casa. Notas e compras. Respirar é um compasso que bate e responde ao coração. Então respire. Quem sabe todas as respostas não vão desaparecer com as perguntas. E essa temeridade era fruto de uma imaginação tão nossa, humana, adulta. Fazem parte todas as coisas que não são planejadas quando o dia começa. O sinal que fechou, a ligação que caiu, os encontros, o pneu que furou, o pedido, o sorriso, as palavras. Então esqueça essa tola obrigação de responder. Esqueça! Respire fundo. E tudo será sentir e tentar. Naquelas tardes sem planos que residem nas molduras da nossa infância. E o tempo passou. Claro que passaria! Amarelou tudo que não se movia. Então respire. Caixa livre, próximo…