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Arquivo mensal: março 2015

O Naufrágio de David Friedrich se desenhava. Ao final era tudo mais o que restava? Das alturas o mundo desabava, dissolvia, tremulava. Como em uma janela nos Rochedos de Rügen, Benjamim lançara seu grito de horror. Caiam dos céus maravilhas luminosas incontáveis. Fascinantes. Mortais. Abriam fendas na terra. Erguiam ondas no mar. E naquele castelo de proa, Miranda alimentava seu último suspiro de esperança. Seus laços amarrados ao coração daquele homem. Esse que guardara em segredo seu último sorriso. E o guardião da luz proclamava sua súplica ao alcançar o portal da torre. Esta esperança que bate no teu peito pode vencer o medo da noite? Pois somente nosso Senhor sabe das horas que nos esperam até o amanhecer. Pode o mundo voltar a ser o que foi um dia? Pois somente o coração encontra discernimento sobre aquilo que não conseguimos perceber. É que a hora chega fria aos desejos apagados pela vida. Exaustos de tanto acordar para acender uma luz neste horizonte. Olhastes para o futuro que espreita essa aquarela borrada na taça cheia. E tantas vezes ignorastes este astro. “Venha, venha! Nasce novamente! Apaga esta noite com o fogo. Revela a verdade destes caminhos. Acende o meu coração de novo…”

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