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Arquivo mensal: fevereiro 2016

inspiração
inspiraçã
inspiraç
inspira
inspir
inspi
insp
ins
in
i
e
ex
exp
expi
expir
expira
expiraç
expiraçã
expiração

respirava o mar mergulhador
eu e o mar mar e céu
livre do mundo mar de sol
sobre as pedras que olhava
e o vento que abraçava o peito
contra o rosto de sal
vermelho
respirava o homem só
eu que era mar e céu
abria os olhos fechados
não sonhava aquilo que vivia
vivia
eu mergulhava
e ria
que viver só é possível se respirar
e inspirar e inspirar e inspirar
livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre livre
aqui onde o mar é azul
onde é profundo
livre livre livre aqui
livre livre livre livre aqui
livre livre livre livre livre desça um pouco mais

se veio até aqui para respirar

não podes temer
sem medo de mergulhar
inspirar
livre livre livre livre livre livre livre aqui
onde o mar é azul

livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre livre

 

desça um pouco mais

agora respire

o mar nos chama de volta

nessa profundidade podes ouvir

livre livre livre aqui
livre livre livre livre aqui
livre livre livre livre livre um pouco mais

desça

 

livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre
livre livre livre livre livre livre livre livre livre

livre livre livre livre livre livre livre livre aqui

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As ondas subiam e batiam contra o céu. Com o badalar das horas que pulsavam no coração. Era o céu esse azul borrado. Tão temerosa imensidão. De nuvens cinzas que sopravam o Mirmidão. Nós nos perdemos no oceano. Perdemos a chance de naufragar e nos afogar em nossos corações. Essas praias sonhadas que aquecem as mãos. No céu de uma boca que engole o mundo. Ouvimos um canto celestial sobre o horizonte que esmaece. Eram esses os dias dos nossos olhos se tocarem. Mas as ondas. Aquelas ondas que lavaram o nosso mundo. Na ponta dos dedos que se perderam. Estamos aqui! No oceano que se ergue e respira. Balança os fundamentos da terra que se dobram. Estamos aqui! Uma visão de reis que se lançam em bravas naus. Eu só voltei para te dizer o que poderíamos. E tudo que perdemos quando deixamos de ouvir o sol iluminar os nossos rostos. Estamos aqui! Entre as ondas. No meio do oceano.

Essas palavras pesam toneladas
Não as brancas
Não as pretas
As apagadas

Essas palavras cruzam oceanos
Não as algas
Não as asas
Da-ti-lo-gra-fa-das

Essas palavras
Essas.
Por mãos escritas
Por mãos rasgadas

Pesam toneladas.