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Arquivo mensal: agosto 2016

 

quando laça teu cabelo
quando lança essa voz
sussurram as estrelas
de grão granula luz
no peito teu que toco
respira doce afago
que a vida é isso sim
quando estamos
quando somos
quando?
quando?
s.o.s

feito caixa de cordas
que assanha minha barba
aquele peito oco que faz eco
ouviu que sussurram as estrelas
de grão granula luz
a luz da lua na luz do mar
e o sabor que respira
e a vida que sorri
que não rima
mas quer

e foi então sorrir
no caminho dessa noite
cansados de não sei não ser
e foi desaparecer no verde
da pupila que o sol faísca
é forte feito pedra no mar
que sabe o que quer e ser
rema feito Mirmidão
às praias daquela guerra
que a gente vai morrer

feito caixa de cordas
onde arranha em minha barba
que eco ecoa ecoa cada
eu então estava ali
untado pelo sal
amado pelo ar
eu então estou nas mãos
que deixam algum perfume
que olham para olhos
por um silêncio que falo
por uma palavra que calo

feito caixa de cordas
que assanha minha barba
deitado em minha jangada
ouvi o que sussurram as estrelas:
“de grão granula luz”

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Voei onde longe ar

Onde
Lu
AnAn
DaDaDa

Os pés sobre a areia do apartamento
Sobre o cimento do mar
Que longe até onde vai
Não respira sem o infinitivo do ar

Ando onde longe ali
Aqui
Ontem
Pela sombra soprar
Só pra ser só se sou ser
Será

És quem? Sabe?
Língua que desata
Que escuta e fala
Tu só será linguagem

Ser é ar
De átomo à paisagem
Em cada estrela
No céu da tua boca
Onde cai a mandíbula
E encerra cada dia
O escuro que acende
Uma luz pela janela
É clara e míngua
Em tua tão nossa
Di
ViViVi
Di
DaaDa
Vi
DaaDa

Em alguma praia ou recife foi pescado grande cetáceo
Feito eu que me renderei à rede que escapo para ficar
Nesse sonhar de ponta-cabeça que escolho vou escolher
E que certo dia vou me afogar em tudo que tu me fez respirar