arquivo

Arquivo mensal: dezembro 2016

o que sobra do tempo que tu mastigou?
que leva tu na fila dos teus pensamentos
um pacote de compras que no banco do carro
(…)
esquecido no trânsito que te acorda
vitrificado
na cama não dorme o que tu deita dentro de ti
não cabe dentro de nada
dentro do peito que carrega
aqui dentro de mim

aquela luz da janela do terceiro andar
morava num quarto de aluguel
desabava tua luz no olhos que guardavam
diziam todas as coisas quando fechavam
mergulhar por dentro até bater no fundo
o que sobra do tempo que tu mastigou?
na mandíbula que cai das alturas
que cala e mata e apaga
toda palavra que não sabe escrever
que para nessa hora para e pensa
(…)
é certa é quase é isso
aquilo que não vem
que nada
e nada no mar
aquilo que nunca ouviu
é rasa
e mata no ar
aquilo que nunca viu
é riso
e bate no peito
aquilo que nunca sentiu

o que sobra do tempo que tu mastigou?
que leva tu na fila dos teus pensamentos
um pacote de compras que no banco do carro
esquecido no trânsito que te acorda
vitrificado
na cama não dorme o que tu deita dentro de ti
não cabe dentro de nada
dentro do peito que carrega
aquilo que a gente não fala
que a gente guarda pra si

Anúncios