Globo Ocular

Na fila que espera fala do seu olho. Empurra mais um pouco dentro do umbigo aquele globo. Que diz ser ocular. Em um grupo criado para falar de quem com quem trabalha. Quando o sinal abre martela ao volante. E o mundo vira suas luzes no último dia do ano. Aos passos rápidos de quem coloca o seu todo como tudo. Quando chega ao fundo percebe o que cabe. Empurra mais um pouco aquele globo. E deixa girar. Saliva cada palavra que mastiga. E tem razão por ser o que diz. Na rua desmente cada verdade. Em casa assume cada mentira. O que espera ouvir quando se cala? O que sonha e o que pensa dentro do aquário? Pelas mãos escorre o óleo do motor que arma. Na sola de cada pé que não gasta. O lodo verde queima sobre as costas. E a vida é terrivelmente assombrosa. Começa e termina no mesmo ponto em que volta. Vai-vol-tar. Aos passos rápidos de quem levanta do seu túmulo. Empurra mais um pouco dentro do umbigo aquele globo. Que diz ser ocular. E deixa girar.

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