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Arquivo mensal: março 2017

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(…) Foi quando cheguei ao topo daquela torre de aço. Foi quando vi a luz do mundo sobre mim. Naquele dia de sol e frio, contemplavam os olhos de minha paz. E o sabor daquela brisa que me enchia os pulmões. E ali em me encontrei em perfeito estado de quem eu sou. O sol repousava sobre a minha alma estampada. No rosto que saudava uma vida até ali. E veio o vento assombrar a todos que riam e se entreolhavam. No meu lugar era a espuma de uma praia. Reinava escondida debaixo de cada pálpebra. E veio a noite estrelada. E o ar que nos roubava. Interrompidos, lembramos de um futuro que nós sonhamos. As miragens de Ishmael. E o sabor do mar em suas narinas. No alto daquela cidade era eu quem respirava. Como o sol iluminava. Iluminava. Aquele futuro-mais-que-perfeito. Aquele que alguém conjugava no pretérito. Aquele que nós escrevemos em cartas.

(…) Cada mastro uma flecha partiu. Veio do céu um furor azul. Ziguezagueando até nos alcançar. Bateu contra o mastro principal. Pulverizado pela fúria de uma tempestade. Éramos caçados por alguma augura celestial. Aquele Senhor nos condenava ao derradeiro naufrágio. Estaríamos juntos até batermos contra o fundo do pacífico. Brandei pelas almas que eram minhas. E contra o céu eu lancei o meu grito. Outra lança veio do alto e toda sorte estava perdida. A bujarrona inflamava como o sol. E o Senhor não revelou os seus mistérios. Aos poucos uma pálida esperança fulgurava. Um farol… um farol de pedra azul…

(…) Foi quando chegamos às portas daquele horizonte. Sentimos o perfume da terra molhada, enraizada até o céu que desmaiava. Pela estrada vendemos nossas armas ao caçador de Belmonte. Um olhar distante tocava as montanhas borradas. Éramos os primeiros a repousar sobre aquelas terras ermas. Homens de cores simples. De mãos fortes. Bravos corações gentis. Filhos de marinheiros, camponeses e reis. Estes que ouviram os primeiros dias. Foi quando chegamos. Aqui. Onde as estrelas são estranhas.

 

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Era luz do ar
Do-ar um coração
Era azul no mar
A-cor-de-om

Que nem toda vida, ela vem
Que essa tua palavra me faz
Por sorrir eu me atrevo
A respirar o azul do que vejo
Se era possível ter cor
No céu da boca que beijo

Era o ar da luz
Do-ar um coração
Era azul como a noite
Luto, negro, noturno, profundo
Era quase aquilo
Era quase absurdo
Aquilo que grita
Me ensurdece
Me deixa mudo

Era luz do ar
Do-ar um coração
Era azul no mar
A
cor
de
om
das