arquivo

Arquivo mensal: maio 2017

source

O tempo é como o silêncio de um olhar. Ele está nas palavras escritas em branco. Como pensamento gentil que sorri. E volta. Como reflexo que deseja o bem sempre está. Nestas pessoas de cores simples a efígie de uma viva alma. E lampejos. Quando interrompido por fogos de artifício. Um deserto azul dentro das mãos. Pela janela que voa não sabe aonde vai. Agradecido por ouvir tão íntimas confissões. Nas cores das bandeiras que flamejam cada alma. Sou eu quem abotoa os meus botões. Na rua de um passante que desfila tua inocente vida. Ele não precisa saber. E respiramos o caminho e seus sussurros. Certos de uma imensidão particular. Somos partículas no acaso de um movimento. Nas linhas de um mapa desenhado por um cego. Na encavogravura dos nossos rostos tecidos. Es-cul-pi-dos. Sorrimos. Nos temperos que guardamos para um jantar. Vai chover, vai chover, vai secar. Dentro das memórias de uma sala. Nas varandas das casas. Nos varais dos quintais. Eu sou este aquele que dança dentro de uma coroa. Na esperança que acorda o sol dentro do mar. Pela rua das flores de um só-riso solto. Um círculo sem curvas. Um abraço para respirar. E tudo é um lampejo de silêncio. Aqui em nossas redes ouvindo a chuva tilintar. São os olhos que se abrem para sonhar.

Anúncios

giphy (4)

Numa cidade deserta flutuava o sol. Pelo rádio a perseguição de uma melodia narrada. Um homem negro marcava o alvo nas próprias mãos. No peito esquerdo uma cruz enferrujada balançava. A polícia montava planos e mapas para o cerco. Sob a mesa de vidro um copo de conhaque. E ele esperava que toda pedra fosse um degrau para uma jangada incrustada em alguma paisagem. Aquele homem do mar me deu os mais preciosos conselhos. Na tua barba fios brancos de uma juventude. Um conversível 98 e ferrugem. Naquela estrada onde as palmeiras te saldavam e balançavam. Havia pouco para descobrir onde estava. Pelo rádio uma denúncia. Os óculos escuros esquecidos sobre o banco de couro rasgado. Era quase levado pelo vento. E o sol nos abraçava e fervia. Do lado de lá o mar. De cá o ar que circulava. Até que o dia fosse noite por uma estrada sem curvas. Restava a paz de uma delícia incerta sobre qualquer coisa. E nós poderíamos rir livres das mentiras descobertas e queimadas. Poderíamos descansar. Seguir certos das denúncias. O pavio de um tanque cheio para enlouquecer por 300 quilômetros. Aceleramos os batimentos sob a chuva que lavava… e a estrada, a estrada… 110…120…160… O próprio alvo alcançado pelo rádio. E o refrão nos fez gritar com desespero e euforia. Como lobos com lágrimas. Aquelas de alguma ventania. Foi quando em uma cama de frente para o mar. Onde o sol iluminou tua alma nua. Alguém de pé te esperava. Remington 1875. Sob o mar afogado fervia um coração. As mãos sobre os laços. Uma faca sobre a mesa. Mordia. Quando veio a noite um novo mar. O frio de um deserto azul infinito que brilhava. Fomos interrompidos por fogos de artifício. Dentro da boca um céu de estrelas. Em algum hotel abandonado o frio que vem amanhecer. Sem saber voltar. O corpo sentia com calma. A cabeça no lugar de um coração. Os olhos verdes no retrovisor. Pele vermelha e brisa. As notícias do rádio que não sintonizava. Mudava. Desligava. E aquela música que gritava. As botas sujas e a calça rasgada. Os cabelos assanhados e a barba. Aquele deserto. E tudo era alguma loucura. As palmeiras que saldavam e balançavam. Havia pouco para descobrir onde se escondia. Os óculos escuros e o rosto marcado. Era só o sol que nos abraçava e fervia. Do lado de cá o mar. O ar que circulava. Um refrão pulsava dentro coração. Sentia o que se pensava, o que se precisava, o que se vivia. A vida é uma estrada sem curvas até o mar. Aquele que nos chama de volta. Mergulhamos sob os satélites. Nos abraçamos sob as ondas. O corpo escapava da própria pele. Derretia. E quando alcançamos o cerco aceleramos. Os avisos luminosos e as armas apontadas. Despistamos quando nosso carro saiu da estrada. O cerco abandonado de um farol. Quando dentro do mar um espelho… um espelho… um espelho para o sol.

Numa cidade deserta flutuava uma estrela que dourava. Pelo rádio a perseguição de uma melodia. Um homem negro marcava o alvo nas próprias mãos. No seu peito esquerdo uma cruz enferrujada… balançava.

And in your waiting hands
I will land
And roll out of my skin
And in your finals hours I will stand
Ready to begin

giphy (2)

O azul do céu vermelho que vai nascer. Quando acordou ouviu o mar. A luz sobre as costas nuas das montanhas. Pela vidraça que o frio nublou. Aquele homem que caminha pela sala. Pela casa que ainda não foi mobilhada. No caminho descalço pela areia do quarto. Sobre o azulejo do mar. Quando ontem essa noite tinha nos olhos o farol de um navio. Uma lanterna a girar. O vagalume dentro do lustre. Na mesma hora em que os teus olhos começaram a fechar. Essa antologia de contos que deixou sobre a mesa. Essa. A mesma. Do outro lado da cidade, alguém desceu as escadas. Cruzou olhares com o vazio da noite. Caminhou pelo jardim, sobre o cascalho que rangia. Nesta noite tu só será linguagem. Foi quando o relógio casou os seus ponteiros. Numa hora em que os faróis cortaram as vidraças. Bateu à porta entreaberta. Eu hospedo infratores. Aqueles que têm fome, que morrem de vontade. Os que cercam de desejo. Aqueles que morrem. Aqueles que ardem. E esta risada, esta risada livre de sanidade e de explicações. Vidas subestimadas na palidez do dia. Fortified with the liqour store. This one’s down, gimme some more. Do outro lado da linha, poucas palavras sussurradas. Estava mergulhada na banheira a olhar o horizonte. Lavada em suas intenções. Give me soul and show me the door. Metal heavy, soft at the core. Gimme toro, gimme some more. O céu cedendo até riscar a torre e balançar o mundo. Ela revelou o convite com um sorriso que nunca planejou. Recebendo a oferenda de um veneno que levava à sua boca. E a fumaça se misturava a silhueta irrompida pelo sorriso dos seus olhos. I’m giving you a night call to tell you how I feel. I want to drive you through the night. I’m gonna tell you something you don’t want to hear. I’m gonna show you where its dark, but have no fear. E o relógio bateu suas últimas notas. Pouco se ouviu. Um colisor de hádrons para desfragmentar aquele cronógrafo. Foi quando a noite se tornou quase tudo isso. Quando a chuva lavou as janelas. Quando o sol parecia dizer não. Em cada casa que o mar engolia. Respirava, voltava, se desfazia. E tudo era só linguagem. Em um sonho quase real sobre algo que se vivia. No vermelho do céu azul que vai nascer. Quando dormia lembrava. Quando acordava es-q-u—-e-cia.