As Notas de Mariachi, As Cores do Tuyo

giphy (2)

O azul do céu vermelho que vai nascer. Quando acordou ouviu o mar. A luz sobre as costas nuas das montanhas. Pela vidraça que o frio nublou. Aquele homem que caminha pela sala. Pela casa que ainda não foi mobilhada. No caminho descalço pela areia do quarto. Sobre o azulejo do mar. Quando ontem essa noite tinha nos olhos o farol de um navio. Uma lanterna a girar. O vagalume dentro do lustre. Na mesma hora em que os teus olhos começaram a fechar. Essa antologia de contos que deixou sobre a mesa. Essa. A mesma. Do outro lado da cidade, alguém desceu as escadas. Cruzou olhares com o vazio da noite. Caminhou pelo jardim, sobre o cascalho que rangia. Nesta noite tu só será linguagem. Foi quando o relógio casou os seus ponteiros. Numa hora em que os faróis cortaram as vidraças. Bateu à porta entreaberta. Eu hospedo infratores. Aqueles que têm fome, que morrem de vontade. Os que cercam de desejo. Aqueles que morrem. Aqueles que ardem. E esta risada, esta risada livre de sanidade e de explicações. Vidas subestimadas na palidez do dia. Fortified with the liqour store. This one’s down, gimme some more. Do outro lado da linha, poucas palavras sussurradas. Estava mergulhada na banheira a olhar o horizonte. Lavada em suas intenções. Give me soul and show me the door. Metal heavy, soft at the core. Gimme toro, gimme some more. O céu cedendo até riscar a torre e balançar o mundo. Ela revelou o convite com um sorriso que nunca planejou. Recebendo a oferenda de um veneno que levava à sua boca. E a fumaça se misturava a silhueta irrompida pelo sorriso dos seus olhos. I’m giving you a night call to tell you how I feel. I want to drive you through the night. I’m gonna tell you something you don’t want to hear. I’m gonna show you where its dark, but have no fear. E o relógio bateu suas últimas notas. Pouco se ouviu. Um colisor de hádrons para desfragmentar aquele cronógrafo. Foi quando a noite se tornou quase tudo isso. Quando a chuva lavou as janelas. Quando o sol parecia dizer não. Em cada casa que o mar engolia. Respirava, voltava, se desfazia. E tudo era só linguagem. Em um sonho quase real sobre algo que se vivia. No vermelho do céu azul que vai nascer. Quando dormia lembrava. Quando acordava es-q-u—-e-cia.

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