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Arquivo mensal: maio 2019

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Era noite quando a chuva veio. A brisa e o perfume denunciavam. Não fechei as janelas de madeira que se abanavam ao sabor do vento. A pouca luz do abajur iluminava o meu corpo e a sombra. E o tempo parou. E ela caiu sobre o telhado acendendo o mundo. Sem muitos planos e pouca pressa, desci para a rua com a pouca roupa que vestia. Lembro de não planejar algo sobre isso. Lembro de caminhar pelo banho de chuva de pés descalços. A água me lavou. E o vento forte, que era frio, me inundou. Até que as estrelas apareceram. Eram lâmpadas mágicas. E para elas fiz meu último desejo. Elas me olhavam. E elas me diziam. Que você estava feliz e bem. E eu fiquei feliz por imaginar. Espero que a chuva chegue até você. E que todos os motivos para não sorrir desapareçam. A vida estava cheia de coisas que não foram ditas. Lembrei das palavras de Hosana. De suas mãos enrugadas segurando as minhas pouco antes de ouvir alguns dos mais preciosos conselhos. No caminho de volta, olhava pela janela e lembrava daquelas palavras. E quando o sol apareceu, vi o dia novo de uma estrada contornando o mundo até o mar. Ali, onde as estrelas são estranhas.

Para R.
Obrigado.

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As partes que somam a equação que quantifica cada uma das tuas ligações químicas em raios que não são claros como os olhos que resolvemos fechar para que toda luz seja essa mesma ao acordar por outras razões aquilatadas a cada novo ser que verbaliza tua linguagem quando cala tudo que há de terrível em si por si em mim em ti sobre a efígie que nos encontra sob a superfície que arranha que arranha que arranha a pior palavra que afoga e pulveriza o que nos mata de viver antes que tudo seja o mesmo ciclo capaz de mover a vida e enganar o que respira para não assumir cada uma das partes de uma razão dentro de um precioso fluxo de pensamentos que acontece pouco antes do sinal abrir para que a vida seja tua e nada mais seja teu onde o ponto que começa e termina essa linha vai dizer sobre o futuro-mais-que-perfeito ao tecer ao tecer ao tecer o que fizer que será que quiser ou o que quis dizer antes de tudo e de nada que mata que mata que mata e faz viver para que ele acorde por dentro e por fora revelando o avesso por ser mais que um nova ou a mesma noite antes do dia ser lançado no conforto do aço para o verso do espelho que nos faz acreditar que ele dorme e nunca nunca nunca vai acordar.

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Toda essa luz. Era o sol acordando o corpo. Meu corpo nu e inteiro. Pela janela estava todo o mar. As ondas quebravam por toda noite até o dia. Por todo pelo, barba, fumaça e sal. A pele queimada de sagrada penitência. E toda luz que eu fotografava. É que eu estive de volta ao ministério. Lá e aqui. Onde o cronógrafo das últimas horas ferve toda temperança. E tudo parecia se encontrar dentro daquelas palavras. E o silêncio. Ora a escrever. Ora a apagar. Nesta casa que permanece vazia. Por certo tempo. Por uma longa noite. Por dois longos dias. E toda essa luz sobre os olhos. Inundada pelo mar. Era o sol acordando o corpo. Meu corpo nu e inteiro. Quando me despia, vestia. Quando lembrava, esquecia. E toda essa luz. Sobre a pele que ardia.

But on a Sunday morning sun
Solo sunrise