arquivo

Pensamento

Quando eu encontrar respostas, lançarei perguntas. Cabe a ti dar então certezas reais. Não aquelas trapaças do coração. Quando souber do que falo. Quando esta será a mesma língua? Quando encontrarmos o perfeito ajuste de tempo. E o que será então o amanhecer de dois corpos sob o sol. Sob as ondas que outrora poderiam ter a graça dos teus olhos. E das pegadas que um dia eu fiz questão de deixar na areia da praia.

Anúncios

Eu não quero ser. Seja lá o que isso quer. O-que-quer-dizer-? Eu não quero ser. Nem ateu. Nem sei se deus. Deus me livre! Eu não quero. O que eu quero é (não) ser. Nada disso. Nada que vá dizer. Sem bandeiras. Sem ofensas. Eu quero ser. Eu. Duas letras. Ponto final. Etc e tal… Livre de cada um. Que seja um. Que seja eu. Não sou vermelho, opaco ou azul. Eu não tenho pele. Só uma alma. Não tenho armas para me defender. Não sou o sexo. Nem o signo. Nenhuma marca. Nenhum partido. Não sou profile. Nem o anexo. Ou disco rígido. Eu sou só eu!  Consegue ver? Sem nada que faça. Que caiba. Que diga. Olhe nos olhos. Talvez eu até minta. O que define? É que eu-sou-tudo-isso. Eu sou a beleza de não ser você. Eu sou o mesmo que ainda pode mudar. Mudo? Você é surdo? Outro mesmo eu. Em cada amanhecer. Louco que seja. Esse sou eu. O que quer que aconteça. O que vai dizer. Quem vai falar? Por um futuro-mais-que-perfeito. Eu. Primeira pessoa do singular.

Foi no meio de um dia cruzando a faixa de pedestre. Foi no meio do ponteiro que apagou os últimos segundos das 16. Era quase sol. Era quase chuva. Mapas mentais entrelaçados sobre as últimas coordenadas da semana. Mapas astrais mergulhados em constelações de algum faz-de-conta. Melhor eram as cores amargas do cinza-mundo-real que respirava. Da alucinação de Belchior. Sem teoremas nem paradigmas. Sem toda a falação despretensiosa de um discurso raso. Intelectos ameaçados pela timeline. É uma hashtag: mãos ao alto! Eu cruzei algumas ruas para o lado. Era a pausa sagrada para não respirar as notícias. Era a busca por um momento no-hi-fi-low-profile. Para mergulhar no ritual de cada-um-de-nós. Era café e silêncio. Eram cinco minutos com óculos embaçados. De olhares perdidos. De rascunhos imaginários. De checklis-esquecidos. Era encontrar o que poderia. E ter certeza do que precisava quando não pensava… e só sentia…

Se tenho dúvida
Estou antes da resposta
Antes da pergunta
Que nasce com dúvida
Se estou com a resposta
Estou depois da pergunta
Pergunta que está no meio
Entre a dúvida e a resposta
Mas na pergunta reside o final
E o começo da solução
Então é a pergunta
Um obstáculo para a resposta
E só a dúvida nos basta

Eu tenho mil anos nestes olhos castanhos. Tapete que escapa sob os pés. Sem as peças certas de um quebra-cabeças espalhado sobre a mesa da sala. As luzes que um natal cintila para lembrar. Que o tempo abre os braços largos. As estrelas… estão se mudando…

Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água
Gota d’água.
Gota d’água.

Gota d’água.
Gota d’água
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água.
Gota d’água
Gota d’água.

Saber escolher um vinho
Pular as ondas que correram
Estrela no laço que me trouxe
Desejo do meu desejo
Abraço, aperto, chuva de brisa
Um mar, um olhar, a minha mão
O largo braço do que vejo
Bate aqui, no meu peito, sente… o teu coração