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Poema

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li em contos de terror que todo azul é cinza
que todo cinza dor
li em contos de escrita que minha mão é suja
pinta sem ter cor
ri por saber que a vida é curta
e toda luz do universo cabe no olhar
toda rua que atravessa desaparece
e o mundo gira mudo
mudo
muda
sem mudar

li em algum lugar

estive no oriente
fiz questão de não me levar
um círculo sem curvas
horizonte sem linha
efígie de quilate
para me ver brilhar

aqui no naufrágio
o inverno é difícil
e durmo com a mesma roupa
que eu arrastei pela lama

acordo de um outro novo sonho
flutuando pelo quarto
deitado em minha cama
caio das alturas sobre nuvens
travesseiros e lençóis
e toda noite amanhecia
eu quando dormia lembrava
eu quando acordava esquecia

li em contos de terror que todo azul é cinza
se for toda cinza flor
acordo outra vez
do meu sonho mais bonito
que a vida que agora se fez
li em algum conto
o mesmo
outra vez
outra vez

li em contos de terror que toda cor é cinza
que este cinza não é cor
li em contos de escrita que minha mão é limpa
pinta sempre a mesma dor
ri por saber que a vida é curta
e toda luz do universo cabe no olhar
toda rua que atravessa desaparece
e o mundo gira mudo
mudo
muda
sem mudar

foi o que eu li
em algum lugar

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source

{
Pedaço
De
Ca
Da
Escada

De
Ca
Bra

Eu
Em
Ca
Da
Palavra
Dita
Mata

Quem
De
Nós
Quem
Escapa
?

Ssa saberia
dizer Hha
LLa o que
Pode PPa
RRa dizer?

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Es
Ca
Da
Ria
De
Mim

Que
Tudo
Quase
Tu
Do
Era
Possível

E você
Fez o que?
E você
Nessa lógica
O que fez?
O que?

Nada
Nada
Nada

Nada
Nad
Na
N
}

giphy (1)

dentro do sol de cada
um
um espelho de todos
nós
esquece que essa chama
apaga
lembra que essa vida
queima
lembra lembra lembra
de esquecer
de tentar lembrar
daquilo
que ninguém disse
o que

certa vez confessei sonhar algo há muitos anos
era sempre o mesmo sonho
o meu desejo é saber o que significa
quando acordava não lembrava
quando dormia entendia

dentro do sol de cada
um
um espelho de todos
nós
esquece que essa chama
apaga
lembra que essa vida
queima
lembra lembra lembra
de esquecer
de tentar lembrar
daquilo
que ninguém disse
o que

Quando cheguei não havia fogo
E todas as cores eram diferentes
Não havia chama ou luz
Mas um mar de águas mornas
Não havia brilho intenso
De perto era como um espelho
E ele ondulava a capa passo
E ele se estendia até o horizonte
Até cair no vazio de algum lugar
Quando olhei não havia fogo
Então eu vi… eu a vi…

Em um trono sentada ao longe
E em sua cabeça havia uma coroa azul
Era a própria Terra
Mas espere… ela está abrindo os olhos…
Acho que vem até mim…

Entre todas as nossas vidas escolhemos esta pele. Em cada sinal que o mar sopra em nossos olhos. Essa luz que ofusca o sol. Entre todas as escolhas fez a mais antiga do teu ministério. Que a vida começa e termina em cada noite. Quando, quando, quando é hora de apagar as luzes? Quando arrasta um silêncio até despertar por desistir de dormir. Quem te acorda para sonhar? Essa vida se torna um pouco mais antiga a cada nova e clara página. E eu agradeço por envelhecer. Por esse algum motivo escolhemos escrever sem olhar. Sentimos mais. Pensamos menos. Entre todos os dias que lampejam a espera de cada fim. Para ti, Lorenzo. Para recomeçar.

Entre todas as palavras que diz
Que dizer acha que diz?

giphy (2)

essa boca
que fala
prova e cala
essa tua
palavra
escrita
calada
pensada
engolida
debaixo do céu
da boca
da língua
a minha
a tua
a outra
a saliva
o que diz pra ti
engole e mata
no fim do sim
tudo que era
não sei que fim
o que tu espera
e o plural
e o pronome
e o pretérito
que eu falava
para um sonho
em um futuro
dentro da tua boca
por mais um segundo

quando fecho os olhos
quando acordo me deito
quando acredito
em algum futuro
mais-que-perfeito

essa boca
que fala
prova e cala

eu sonhei colocar a minha mão na tua boca
e tu me engolia. salivava, lambia os dedos
fumava e dormia…

 

– Ainda nos resta um tempo, certo?
– Sim, um pouco mais.
– Que tal uma história?
– Uma história? – Disse levantando seu corpo e abraçando os joelhos.
(…) 

cetaceo

Ouvi uma voz dentro da brisa: tuas mãos são fortes, teus passos serenos. Quem fez este coração? Quem o lapidou? Fez este para cruzar oceanos. Mergulhado em mares profundos de calmaria. Está na tua voz. Ouça. Está no teu corpo. Sinta. Quando nasceu e morreu para voltar. É tão grato o teu sorriso. Teu corpo vibra e ilumina. É quando acende as chamas sobre o que sentes. Sinta o que os teus dedos tocam, o que o coração diz já saber. A gratidão perfuma tudo ao qual se dedica. Tudo por ti feito, tudo que por ti é dito em silêncio e respeito. Quem vê a ti perceba, perceberá o teu amor. Como sonhou os teus sonhos? Como os fez realizar? Como cruzou o oceano? O que te faz desistir ou acreditar? Quem te abraçar perceba, perceberá o teu calor. Não se pode fingir um pensamento. Os sentimentos que ardem em ti. Sonha como a cachalote onde pode sonhar. Quando é raso tu sentes, quando é profundo consegues mergulhar. Naquele domingo. Na estrada que te espera até o sol desmaiar. Para que tudo fique bem, pleno e completo. A cada dia e noite em que a vida segue para ser nova. Agora escolhe viver pela compreensão do lugar certo, das ações certas, dos sentimentos certos. Disse uma voz dentro da brisa. Você está sorrindo a sua paz. Tuas mãos são serenas, teus passos são fortes. Já fostes longe nesses mares. Não há nada que seja pelo acaso. Reina dentro da tua respiração, invade cada célula. É a lei natural que não se pode impedir. Então faz da tua luz uma escolha sempre certa. E sorri. Respire quando chegar à superfície. E deixe a brisa te inundar, num mergulho para ver e sentir a verdade que vem com o sol… num mergulho para respirar.

“São apenas os sussurros que ecoam nos teus olhos e em cada sorriso que gentilmente dá ao mundo. No alto da escada, no teu castelo de proa. Colhe as estrelas no céu da tua boca. Olha para o grande azul que mergulha até a barra do mundo. E sente o perfume da vida? E sente o calor do dia que vai nascer? Faça jus a tua alma franca e clara que vibra e ferve. Bravo, livre, brisa, breve. Veio ver o sol para nascer também. Mata essa vontade de viver! Aqui! Onde o mar desemboca, no fim de todas as coisas.” (…)

“Parce qu’était lui, parce qu’était moi”
Montaigne.

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Era luz do ar
Do-ar um coração
Era azul no mar
A-cor-de-om

Que nem toda vida, ela vem
Que essa tua palavra me faz
Por sorrir eu me atrevo
A respirar o azul do que vejo
Se era possível ter cor
No céu da boca que beijo

Era o ar da luz
Do-ar um coração
Era azul como a noite
Luto, negro, noturno, profundo
Era quase aquilo
Era quase absurdo
Aquilo que grita
Me ensurdece
Me deixa mudo

Era luz do ar
Do-ar um coração
Era azul no mar
A
cor
de
om
das