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Rascunho

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André Malraux estava perdido em seu salão. Entre as páginas de uma vida que ele soube perfumar. Poucas pessoas são tão doces assim. Gentil como as cores do vestido que você pintou. Nesta crônica aqui. Aquela de outro dia. Não é? Tua voz nunca faltou com a graça que tem. No sotaque que sussurra. É de uma certeza absoluta. Foi então sob a luz serena que dançamos para nunca mais falar. E você cantava Diana Panton antes de dormir. Assim, aqui, ali.. a vida deixou de ser aquilo. O que era ela? Aquela. Pois então. Do you black? Blue. Não é a palavra de querer explicação. Que pouco uso de cada letra. Fazer disso uma forma de quê, para quê? O museu do infinito tem quatro paredes. Não cabe em lugar algum esse devaneio. Mas olha então. Eu não vou dizer o que não é imagem. Antes por isso não ser linguagem. Não cabe. Foi pela janela que encontramos quando olhamos por aqui. Por aquela mesma escada pintada por ele. Não é a outra mesma vida que nunca mais verá. Aquela de outro dia. Tudo que foi do presente que o futuro fez ser será. Mas então André Malraux estava perdido em seu salão. Entre as páginas de uma vida que ele soube contar.

Tu sais, je vais attendre
J’ai protégé ton nom

 

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source

{
Pedaço
De
Ca
Da
Escada

De
Ca
Bra

Eu
Em
Ca
Da
Palavra
Dita
Mata

Quem
De
Nós
Quem
Escapa
?

Ssa saberia
dizer Hha
LLa o que
Pode PPa
RRa dizer?

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Es
Ca
Da
Ria
De
Mim

Que
Tudo
Quase
Tu
Do
Era
Possível

E você
Fez o que?
E você
Nessa lógica
O que fez?
O que?

Nada
Nada
Nada

Nada
Nad
Na
N
}

giphy

(…)
O hotel ficava afastado da cidade. Um caminho de pedras até lá. Todas as luzes falhavam a cada trovão. Era tão tarde e a cidade parecia morta. Na fechadura que não abria nos molhamos. Nunca encontramos a chave daquela porta.

(…)
Na noite em que chegamos éramos dois estranhos. Mas eu te vi despir a pele. Uma voz serena preenchia cada noite. Ela quase arranhava o silêncio. Na minha boca gravava a pele feito metal. Na varanda do quarto de hotel. Contrabandos de uma seita oriental.

(…)
Eu adoro isso
Esse ar da chuva
Perfuma algo
Dentro da gente

giphy

Eu me dobrei sobre mim e me coloquei em cima da cama. No frio que me partia. Pela casa que andava. Vazia. Meu corpo nu e inteiro. Daquele sentimento. Daquela alegria. Que me levava ao horizonte. Que me matava. Que me pa-r–t-i–a. É sempre o suave desespero. Uma incerteza absoluta. Ou o fim de todas as coisas. Ali… onde as estrelas são estranhas.

Eu me dobrei sobre ti e te coloquei em cima da cama. 
À tua bruxaria.

Passa tua boca
Na minha que é tua
De já não sei de quem
É a saliva que me lava
De quem?
É a língua que desata
De quem?
O coração que desarma
E me afoga
Nas tuas mãos
Pois eu cansei de ser raso
Me rasga
Pois eu cansei de ser pedaço
Me mata
No fim
Me mata
Em fim
Me salva

engrenagem encaixa na rótula
homem corre, homem corre
martelo e compasso nas mãos
homem corre, homem corre
essa livre massa de ar
nuvem de aço conforto (censurado)
era sem cem sem cento e sem centavos
centauro
engrenagem encaixa na rótula
rótulo de paisagem
homem livre, homem vive
é que era peça
o que era possível trocar
quando máquina quebra
quando ela vai quebrar ?
e agora o que se troca
é o homem que se senta
na maquina que opera
quem espera
quem vai esperar ?
vagalume
vaga
lume
vaga ideia
e o homem corre
e a ópera começa