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André Malraux estava perdido em seu salão. Entre as páginas de uma vida que ele soube perfumar. Poucas pessoas são tão doces assim. Gentil como as cores do vestido que você pintou. Nesta crônica aqui. Aquela de outro dia. Não é? Tua voz nunca faltou com a graça que tem. No sotaque que sussurra. É de uma certeza absoluta. Foi então sob a luz serena que dançamos para nunca mais falar. E você cantava Diana Panton antes de dormir. Assim, aqui, ali.. a vida deixou de ser aquilo. O que era ela? Aquela. Pois então. Do you black? Blue. Não é a palavra de querer explicação. Que pouco uso de cada letra. Fazer disso uma forma de quê, para quê? O museu do infinito tem quatro paredes. Não cabe em lugar algum esse devaneio. Mas olha então. Eu não vou dizer o que não é imagem. Antes por isso não ser linguagem. Não cabe. Foi pela janela que encontramos quando olhamos por aqui. Por aquela mesma escada pintada por ele. Não é a outra mesma vida que nunca mais verá. Aquela de outro dia. Tudo que foi do presente que o futuro fez ser será. Mas então André Malraux estava perdido em seu salão. Entre as páginas de uma vida que ele soube contar.

Tu sais, je vais attendre
J’ai protégé ton nom

 

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Veja só a nossa vida
Aquela que a gente fez
Quem sabe dela aqui
Novo abraço trouxe o mar
Sem talvez
Sem talvez
É quando me pergunta
Do que a gente está rindo?
Eu não sei
Ser feliz tem motivo?
Na fila do aeroporto
Outra vez
Outra vez

Em cada parte cabe o nosso abraço
E o que fica em cada um guardado

Uma concha, uma rolha, um perfume, um afago
Sobre a mesa da sala, dentro de um vaso…

Outra vez
Outra vez
Outra vez…

source

{
Pedaço
De
Ca
Da
Escada

De
Ca
Bra

Eu
Em
Ca
Da
Palavra
Dita
Mata

Quem
De
Nós
Quem
Escapa
?

Ssa saberia
dizer Hha
LLa o que
Pode PPa
RRa dizer?

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Es
Ca
Da
Ria
De
Mim

Que
Tudo
Quase
Tu
Do
Era
Possível

E você
Fez o que?
E você
Nessa lógica
O que fez?
O que?

Nada
Nada
Nada

Nada
Nad
Na
N
}

giphy (1)

dentro do sol de cada
um
um espelho de todos
nós
esquece que essa chama
apaga
lembra que essa vida
queima
lembra lembra lembra
de esquecer
de tentar lembrar
daquilo
que ninguém disse
o que

certa vez confessei sonhar algo há muitos anos
era sempre o mesmo sonho
o meu desejo é saber o que significa
quando acordava não lembrava
quando dormia entendia

dentro do sol de cada
um
um espelho de todos
nós
esquece que essa chama
apaga
lembra que essa vida
queima
lembra lembra lembra
de esquecer
de tentar lembrar
daquilo
que ninguém disse
o que

Quando cheguei não havia fogo
E todas as cores eram diferentes
Não havia chama ou luz
Mas um mar de águas mornas
Não havia brilho intenso
De perto era como um espelho
E ele ondulava a capa passo
E ele se estendia até o horizonte
Até cair no vazio de algum lugar
Quando olhei não havia fogo
Então eu vi… eu a vi…

Em um trono sentada ao longe
E em sua cabeça havia uma coroa azul
Era a própria Terra
Mas espere… ela está abrindo os olhos…
Acho que vem até mim…

giphy

(…)
O hotel ficava afastado da cidade. Um caminho de pedras até lá. Todas as luzes falhavam a cada trovão. Era tão tarde e a cidade parecia morta. Na fechadura que não abria nos molhamos. Nunca encontramos a chave daquela porta.

(…)
Na noite em que chegamos éramos dois estranhos. Mas eu te vi despir a pele. Uma voz serena preenchia cada noite. Ela quase arranhava o silêncio. Na minha boca gravava a pele feito metal. Na varanda do quarto de hotel. Contrabandos de uma seita oriental.

(…)
Eu adoro isso
Esse ar da chuva
Perfuma algo
Dentro da gente

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Pouco antes de partir, lhe foi dada a mais alta honraria. Atravessou muitos mares antes de ficar preso no norte. Completaria 800 noites longe do seu ministério. Poucos sabiam o que o seu coração desprezava naquele sono febril. Entretanto, continuavam a seguir pelo frio do mundo com sua escória. Foi a sua última ordem pouco antes de cair. Homens antigos de muitas marcas. E a cada novo horizonte um imenso sacrifício era feito. E sobre os mastros da nau suas memórias abriam os olhos do contramestre para os próximos dias.

– Fique atento. Foi aqui, neste deserto de silêncio, que alguma coisa rompeu o casco deles de proa à popa. E todos caíram mortos no convés. Um por um!

A sol reinava pálido como uma pérola antiga, borrado sob as nuvens do polo. E chegava a hora. O vento já havia morrido há algumas semanas. E era impossível perceber onde estavam dentro daquele nevoeiro. Quando conseguiam ver as estrelas, elas eram estranhas. Então, sob o mastro principal, aqueles homens se reuniram com suas facas nomeadas e gloriosas, filhas do tempo, de guerras antigas.

– Capitão, eu tenho pecado. E desde ponto em diante, para não falhar em vida, sacrifico a efígie dos meus sonhos para colher tesouros maiores.

Dito isso, arrancou num gesto rápido seus dois olhos. E então cada um dos presentes repetiu aquelas palavras e removeram os olhos com suas facas também. Não houve lamento. Tingiram o convés branco com sangue. O contramestre tratou de levar os olhos para o castelo de proa, onde repousava o corpo do Capitão. Mas estando lá, ouviram uma risada e puderam ver pela primeira vez o que se escondia por detrás da cortina cinza de neblina. Espantados e glorificados, eles caíram em um desespero coletivo. Alguns riam e apontavam. Outros rangiam os dentes assombrados.

– Lá vem uma embarcação no horizonte!
– Mas como ela pode navegar sem vento e sem correntes?
– Veja, ela vem em frente. Ela está se aproximando, vindo do sol
– Veja, ela não tem tripulação!
– Ela não tem vida… Espere, há mais duas!

E neste momento caíram pálidos e mortos sobre o convés. Um por um. As velas acenderam em chamas e a grande bujarrona brilhou como o sol. E houve fogo e silêncio. E ali pereceram todos os homens daquele navio. Não todos. Pois o capitão acabara de despertar de um pesadelo. E pelas janelas veria as praias mornas que aqueciam o seu coração. Inimagináveis tesouros o esperavam. E em sua mais profunda lembrança uma vida de sacrifícios. Àquelas praias de portos inalcançáveis que tantas vidas roubou. Então ergueu-se da cama e ouviu um som distante… Bateram à porta.

– Quem é? Quem deseja me visitar? Respondeu o silêncio. E quando se voltou encontrou o próprio corpo, deitado sobre a cama.

eu fui sorrir pra vc
pra dizer que sim
e fluí sentir dizer
pra viver em mim
eu fui de ti pra ser
e só rir assim
e acordei no fim
quando tudo era paz

eu respirei o nosso sol
dentro do mar até a noite
dentro do mar